quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Ultrajes

Se por ti sofremos,
na alegria morreremos.
Se por ti amamos,
Não nos cansaremos,
pois o amor nos descansa.

Se por ti amamos,
na alegria morremos,
pois diante do sofrimento,
tua graça nos sustenta e
alcança.

Se é o martírio a nossa pena,
pedimos que tu sejas
nossa coragem, se é a
perseguição a nossa via,
pedimos que sofrer por ti
seja a nossa alegria.

Doamos-nos
para que no mundo
se conheça a verdade,
doamo-nos para que
se restaure o que o
pecado deformou.

Nos unimos aos flagelos,
à coroa de espinhos,
ao alto do madeiro.
Suportamos contigo,
por ti e em ti,
os ultrajes.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

No Cenáculo com Maria

No teu corpo glorioso
mas ainda chagado,
te contemplamos
ascendente ao céus.

Chegou o tempo em
que o Senhor já não
mais conosco estará,
está para se cumprir
Sua promessa,
está para chegar
o Consolador.

Nos reunimos no Cenáculo,
lá está Maria e com ela
nossa esperança.
Temerosos,
em meio ao nosso medo
somos visitados,
vem sobre nós o Espírito Santo,
nos sentimos encorajados,
capazes e saímos a anunciar.

Gratos aos carinhos da Mãe,
que cuidou de nós
e nos manteve firmes
enquanto esperávamos.

Eis que se cumpriu
o que disse o Senhor:
veio Aquele que há
de nos recordar
e ensinar todas as coisas.

O Mestre permanece
em meio a nós,
a multidão se converte
pelo nosso testemunho.

Vamos aonde nos envia
o Senhor, exercendo o
nosso apostolado,
e contando com
a intercessão da Mãe.

Diante da dor,
sofria conosco a
ausência do Filho.
Permanecia calma,
pois nunca saíra
de sua companhia.

Nos consolou
e nos manteve firmes
em nossa esperança,
estávamos com medo
e fomos consolados
no Cenáculo com Maria.

Interior

Vazio de mim,
livre de todo o tormento,
sacio minha fome
tendo-te como meu alimento.

Vazio de mim
e longe da solidão,
sinto-me mais leve,
posso agora por
meus pés na missão.

Aonde poderia descansar eu,
senão no teu coração?
Qual a minha força
senão a oração?

Rompes minha timidez e
me chamas a voar mais alto,
não consigo mensurar o quão
alto seria...

Como eu não tendo asas voaria?
Talvez as asas que
tenho seja meu
irmão, o vento a sua
fraterna comunhão.

Posso ser tolo
e pensar ser  poderoso um
gavião, posso ser ingênuo,
reprimido e em muitas faces
e disfarces, me fazer
camaleão.

Posso ser uma simples alga e
pensar que sou tubarão,
posso ainda ser inflado,
peixe-boi, cheio de
espinhos e defesas.

Ou mesmo indefeso passarinho,
desabrigado de seu ninho,
um pequeno ou grande peixe,
uma mera alga, uma mera alma.

Um pobre disfarçado,
um humilde assoberbado,
um avarento, bonito por fora
e podre por dentro.

Amas-me?

Amas-me ou apenas dizes?
Aonde vives? Qual a tua fonte,
qual o teu manancial?

Qual o tesouro?
Amas-me ou apenas dizes?
De mim falas ou primeiro a si
mesmo anuncia?

Qual o teu caminho?
Amas-me ou apenas dizes?
Qual o teu alimento, a tua
eucaristia?

Falsa pobreza, humildade
discreta, amor sucumbido,
Orgulho enaltecido,
de si mesmo preenchido,
amas-me?

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Mistérios (12.11.14)

Para que eu esteja contigo,
peço-te que estejas comigo.
Eu que digo entre nós
não haver despedidas,
logo me disperso,
e adeus te digo.

Julgo entre nós
não haver mistérios
e segredos, mas logo percebo
que existem ao menos dois:
um eu mesmo, a mim mesmo
desconhecido, o outro a
tua plenitude.

Neles me devaneio, aprofundo,
te conheço e logo me vejo,
me vejo e logo te encontro.

Nesta hora permaneço contigo,
apenas contemplando-te,
mistério, bondade e beleza.

Em toda hora,
permaneces comigo,
amando-me,
ensinando-me,
cuidando de mim,
como fizestes ao me criar.

Logo me rendo,
vejo que há bem mais
do que dois mistérios,
que não cabem a mim entender,
apenas contemplar.

Ficai assim comigo, Senhor:
Todo inteiro ao meu dispor.
Ficarei eu aqui contigo:
todo inteiro, servo,
filho e ao teu dispor.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Deus me consola (07.11.14)

Triste minha alma chora,
pede a Deus que fique,
que não vá embora.
Triste minha alma chora
porque oculta, omite a
alegria de outrora.

Antes era feliz e agora deixei de ser?
Antes louvava e agora o deixei de fazer?
Triste minha alma chora,
Sorrindo Deus me consola.
Disse-me que já sabia
que eu assim estaria
e por isso veio me visitar.

Disse-me que não me preocupasse,
e que a cada lágrima que derramasse,
eu me lembrasse que ele
sempre ao meu lado sempre esteve.

Mais leve e consolado,
entendi que quando
triste minha alma chora,
sorrindo Deus me consola.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Minha Condição (05.11.14)

É aos teus pés
que entendo minha
consagração,entendo
minha condição.
Não existe lugar melhor,
outro abrigo, refúgio
ou cidadela.

Aqui estou protegido
e na melhor de todas
as companhias.
Que alegria, sempre
que busco poder
te encontrar.

Quisestes estar comigo,
ser meu amigo e
mesmo quando
não o procurei,
viestes me encontrar.

Que alegria,
sempre que me abro,
livre posso te amar.
Quisestes me amar primeiro,
antes que eu pensasse em existir,
já eras o Amor.
Aos teus pés entendo a minha vocação
e reconheço que de total dependência,
é a minha condição.

Ressurreição (05.11.14)

Se já no pântano submergido,
recebo hoje uma nova
chance de ser reerguido,
recebo a mão que se estende
e me livra do lamaçal.

Recebo o carinho,
o cuidado, o amor terno
e  esponsal,
recebo vestes novas,
vejo apontada a direção,
o caminho.
Sou limpo, sou consolado,
sou livre, ou melhor,  libertado.
E então caminho,
não mais sozinho,
não mais submergido,
amedrontado e acanhado.
Vou contigo, com os meus,
trocando o pântano por solo sagrado.
Consagro os pés vacilantes
que agora seguros caminham,
te peço pés consagrados.

Consagro os alicerces
inconsistentes que sobre ti
não se ergueram,
te peço uma vida
fundamentada em ti,
te peço e novamente
me consagro.

Estendo minha mão e
mesmo com medo
e inseguro,
posso te encontrar.

Estendo minha mão
e mesmo à beira do abismo,
recebo muitas outras já estendidas,
que não me permitem
fazer deste momento uma despedida,
De novo amparado,
me ponho no caminho,
continuo a confiar,
não vejo o fim,
mas recomeço, ressurreição.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Liberdade (24.10.14)

Passado o tempo, 
Tendo eu contigo convivido,
obtive uma nova ótica 
e enfim vi-me do cárcere
liberto. 

Vi-me não só livre 
mas também 
da tua graça e 
misericórdia encoberto.
Terra seca, frio, deserto,
é ter-te e não estar perto. 


Hoje minha vida 
é mais fecunda, 
onde meu pecado 
é excesso, 
tua graça se  sobressai. 

Enfim, vi-me liberto
do cativeiro 
de mim mesmo,  
das amarras e correntes. 
Vi jorrar águas santas, 
correr o rio, 
as fortes torrentes,
vi no mar que eu sou, 
desaguarem ondas 
de misericórdia, amor, 
paz e benevolência.

Não só vi, 
senti e tive ciência 
de que tudo que sou
é obra tua...
Aonde me deformei, 
restauras, onde me perdi, 
me reencontras, 
onde não sorri, 
fazes nascer alegria, 
onde me prendi, 
trazes liberdade,  
onde escondi, 
é revelada a tua verdade.

Quais são os frutos 
do teu agir em mim?
Onde era terra seca, 
germina a semente 
regada pela tua mão.
Sou livre de mim mesmo, 
dou-te liberdade. 
O que posso fazer
para que sejas livre em mim?

O Santo dos Santos (03.11.14)

Na porta estou e recebo o convite: 
Me chamas a adentrar 
o Santo dos Santos, 
e ali te adorar.
Se meu passo não se move,
teu amor me seduz
e sem mesmo perceber contigo
estou, já rendido e entregue.

Adentro então teu coração,
ali sou restaurado,
agarro a tua a mão
e novamente me
sinto amparado,
brota em mim vida e paz.

Por onde andei?
O que fiz longe de ti?
Pouca importa os muitos dias
que estive distante,
pois contigo agora estou
e o hoje se faz eterno,
tal como mil anos,
um dia contigo,
tal como mil anos,
um dia longe de ti.

Meus fúnebres dias,
são memórias
que impulsionam
um futuro feliz,
despertam o desejo
de viver ao teu lado,
são força que me
proporcionam um olhar
de misericórdia e ressurreição.

Adentrei o Santo dos Santos,
descobri quem lá estava,
não desejo sair
sem antes me converter,
não desejo sair
sem antes levar-te comigo,
não desejo sair...

Aonde eu poderia ir?
Ouço tuas palavras de vida eterna,
ouço a tua voz, a mesma que
seduziu e me fez adentrar
e te encontrar no Santo dos Santos.

sábado, 1 de novembro de 2014

Sangue Santo

Sangue santo,
que unge o manto,
cura e traz liberdade,
por mim derramado,
purifica, umidifica a
terra do meu coração.

Banhado por teu sangue,
posso também o meu doar,
posso livrar-me e livrar,
ser amado e amar...

Olho pro madeiro e
vejo que tudo está consumado,
e lá está todo teu sangue sobre ele,
por mim derramado.

Não posso dizer outra coisa,
senão obrigado, hoje sou curado
e provo das delícias de uma
vida ao teu lado, coberto
pelo manto, ungido
pelo teu sangue,
sou mais santo, por ser
remido por ti, sou livre, pela
liberdade que destes,
qual a medida do teu amor?

Qual a infinidade que há em ti
Senhor? Não há preço, não há
coração humano que entenda a
tua grandeza, não há olhos
que contemple a tua beleza,
não há sangue mais puro,
que o teu sangue santo.