quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Rainha da Paz (31.12.14)

Mãe, imagino eu que
teu coração sangra
e se faz em pedaços,
ao ver no mundo
escasso o amor e
a comunhão. 

Ao ver sendo destruída
nação por nação. 
Morrem teus filhos, 
morrem sem conhecer 
teu Filho, morrem 
sedentos e incompletos. 

A terra estremece e parece 
já ser o fim dos tempos. 
O ódio consome, o pecado
cega, ensurdece e as famílias 
se destroem. 

Parece que de guerra vive 
o mundo e que o inferno 
já é conformismo e destino certo, 
parece até mesmo que o inferno 
aqui já se faz. 

Por ti há de chegar
a paz no mundo,  
O céu será um
dia o objetivo comum.
Não sei a quem recorrer
e pedir socorro, senão a ti, ó Mãe.

Interceda junto a Deus por nós,
interceda pelo mundo que
se desfaz, pelos que não já
amam mais, pela paz na terra,
interceda por nós Rainha da Paz. 

Santa Mãe de Deus (31.12.14)

Santa Mãe de Deus a ti rogo
neste dia, aonde encontraria 
eu refujo, alento e descanso? 

Mãe, quantas vezes corro e 
logo me canso, quantas vezes 
eu erro por querer ir sozinho...

Em todas as quedas eu volto a ti, 
como o filho errante, rebelde 
e por muitas vezes distante. 

Das muitas vezes que te procurei, 
me acolhestes com uma ternura
sem igual, das muitas que assim 
não o fiz, fostes ao meu encontro. 

Nunca me deixaste desamparado, 
nunca saíste do meu lado, mesmo
sem merecer recebo sempre a tua
acolhida e amor.

Desde do ventre sou a ti consagrado,
quisera eu também estar sempre ao
teu lado, a vida seria mais amena,
mais doce e serena. 

Porém se insisto em fugir, 
com carinho me persegues, 
me alcanças e protege,
em teu calor me aquece.

Não encontro outro ventre, 
outro coração que mais fundo
adentre os mistérios da eternidade,
só o teu, Santa Mãe de Deus. 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Esperar (29.12.14)

Parece prisão mas é liberdade
abster-me de mim e de minhas
vontades, parece contradição
mas é construção.

É caminho de espera, onde se
prova o amor verdadeiro, que
deseja que o outro seja todo
de Deus primeiro.

Esperar é crescer em Deus,
em graça e intimidade,
amar é aniquilar-se,
renunciar o que se quer ter.

Esperar é crer que bons são
os planos que Deus fez,
melhor ainda é a descoberta,
a adesão por Sua vontade.

Esperar é não fazer
o que quero e fazer o
que não quero, esperar é
viver, esperar é crer.

Esperar é crescer, construir,
criar comunhão, abster-se
e ser todo de Deus primeiro.

Meu barco em alto mar (29.12.14)

O meu barco está em alto
mar, precisa do meu remar
constante, da força da oração
que dará sentido e direção
ao meu esforço.

Não importa se hoje pouco
ouço, se a vontade de Deus
ainda me é obscura,
não posso me render.

Rendido, sou alvo da fúria,
facilmente a tempestade
irá me encobrir e meu barco
será destruído.

Não posso parar e me render
ao cômodo, não posso ser
conformado e achar que o
perfeito já alcancei.

O que tenho por alcançado
é o desejo da busca,
não importa o que dizem
os náufragos que pelo caminho
foram ficando.

Eu seguirei remando,
mesmo que não faça sentido,
eu preciso continuar,
não posso parar.

Preciso remar, remar
e remar, não posso
parar, pois estou com
meu barco em alto mar.

Bobo da Corte (28.12.14)

Incumbido de alegrar o rei,
feliz vai o serviçal... 
Por muitos feito menos, 
é o que mais possui. 

Possui a alegria que falta ao 
rei e a todos ao seu redor, 
possui a simplicidade, 
é humilde. 

Não se entristece por não ter o
que é da sua vontade, 
não se deixa levar pela vaidade, 
não é rico, isto é verdade. 

Nunca quis ser rico na verdade, 
nunca se permitiu ser triste, 
chama-o bobo, serviçal de toda
a corte. 

Prefiro chamá-lo feliz, servo de 
Deus, alegrar-me com ele, 
contemplar a sua alegria, 
incentivar-me com o seu servir. 

Acho bobo aquele que muito tem
e infeliz vive, quem olha a corte 
e em meio à realeza não consegue
identificar o verdadeiro rei. 

Olhei, contemplei, fui ao palácio 
assistir o espetáculo, ao fim aplaudi
e me perguntei: é bobo o bobo ou 
o rei e toda a sua realeza?

Sugestão de Leitura Bíblica: 
Dn 5, 1-6. 13-14.16-17.23-28.

O Manto de Fogo (19.12.14)

O manto que me reveste
é de fogo que não queima,
mas inflama e faz arder o
coração.

É o manto da justiça,
da força e coragem,
é o manto do anúncio,
do prenúncio do céu.

É o manto da verdade,
da chama viva e radiante,
da paz, da alegria e da
temperança.

É o manto que revela o
bom tempo que está por vir,
é o manto que me reveste e me
diz quem sou.

É o manto do amor,
que suporta o sofrimento,
é o manto do Espírito que
impulsiona e conduz.

É o manto de Jesus,
tecido por Maria,
é o manto do povo eleito,
retirado da multidão.

É o manto que inflama e
faz arder o coração,
que se estende sobre a
humanidade.

Renovando a aliança,
trazendo algo novo,
é o manto que restaura,
é o manto de fogo.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O Manto de Maria (17.12.14)

O manto de Maria me cobria,
ainda encharcado de sangue do
madeiro derramado,me cobria
e em seus olhos eu via a dor.

Mesmo assim Maria não
negou seu consolo,
como consolar em
meio à dor?

O manto de Maria me cobria,
e em seus olhos eu via o amor,
ao me cobrir se estendia sobre
todos os que com ela sofriam.

O manto de Maria me cobria,
o mesmo que cobria Jesus,
fui tomado pelo sangue puro de
seu filho.

O manto de Maria me cobria e
em mim estava seu cheiro, fui
tomado por inteiro, recebi colo,
carinho e consolação.

Recebi pelos meus pecados o
perdão, tomei de volta a vida,
fui restaurado, consolado, pelo
manto que sobre mim se estendia,
o manto de Maria.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A Filha de Jairo (16.12.14)

A fé e confiança de Jairo,
movem-o a ir ao teu
encontro, encontrado
tu se pões à caminho.

No percurso uma força
intervém, ouves àquela
mulher que vem pedir
o teu socorro.

Ao tocar a orla do teu manto,
é curada, aquela que sangrava
no corpo e na alma,
devolve-lhe a vida,
a dignidade.

Ainda no caminho,
a fé de Jairo é provada,
recebe a notícia da morte,
permanece forte e é
por ti é consolado:
"não temas, crê somente
e tua filha será salva!"

Diante da morte
e da desesperança, riam de
ti, em dor os que não riam
se lamentavam.

Tu porém, ergues a voz
e fazes submissa a morte,
dá ordem aos céus e
a menina retoma a vida,
pois tu tudo podes fazer,
basta crê!

Adentras a casa de Jairo,
adentras o coração de Jairo,
dá a ordem: "menina, levanta-te!"
e a trazes de volta à vida,
reavivando em todos  que ali
estavam, a fé e a confiança,
a esperança.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Névoa

O que hoje esconde a beleza
das tuas águas e me impede
de ver aquilo que sou?

Sei que não sou a névoa e sou
chamado a ser  o próprio
mar, a revelar a beleza
que há em ti.

Hoje não te vejo,
não me vejo,
sei que não são revoltas
as minhas ondas, sei
não que não é rebeldia
minha cegueira.

A névoa encobre e ofusca,
retira de mim a tua imagem
e semelhança, a névoa é o
meu irresoluto, incerto,
oculto e deserto.

O vento é ainda desorientado,
o mar agitado, porém é em ti
que sou, é em ti que devo me
descobrir.

Há de chegar o sol do novo dia,
há de chegar a esperança,
a alegria, a vida nova, a maresia.

Há de chegar o vento norte,
o vento do espírito, sempre certo,
para orientar, tornar descoberto,
explícita a beleza das águas,
Vem depressa, não tarde, vem
Senhor em meu auxílio, dissipar do
mar que sou, a névoa.