quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A terceira dor de Maria (29.01.15)

"Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos." (Lc 2,48).

De regresso após celebrar a Páscoa,
pela caravana tranquila caminhavas,
até perceber que o menino não
estava contigo.

Pressentindo o perigo a José
procuras, também não está com
o menino.
O procuras entre os amigos
e não é encontrado.

Jesus não está entre eles e seu coração
de Mãe de angústia logo é tomado.
Partes em busca, sempre com José
ao seu lado.Imagino a pressa do
reencontro, a agonia da ausência.

"Será que se alimentou? Está bem?
Onde andará meu filho?"
Regressas com José a Jerusalém,
se colocam a procurar... "Onde estará?"

Três dias depois finalmente
é encontrado.
Está sentado,
em meio aos mestres e doutores.
É a primeira perca, esta foi mais
uma de suas sete dores.
Ter encontrado Jesus enche
de alegria os corações de seus pais,
tê-Lo perdido é a terceira dor de Maria.

Semente ( 29.01.15)

Fecundidade, 
vida e alegria.
A chuva vem regar
a terra outrora semeada. 

Encharcada a semente 
pode germinar e dar
frutos cem por um.
Um novo tempo se inicia, 
aonde se pode perceber 
a continuidade do povo eleito. 

Deus vem amparando 
e fazendo nova a forma 
de amar seus filhos. 
São novos tempos, 
são novas formas, 
é um novo chamado 
para viver o único e 
primeiro amor.

Deus é amor, 
eterno e que transpassa 
os séculos e perdura pela 
eternidade.
Deus é bondade,
Aquele que ampara o órfão, 
acolhe a oferta da viúva.

Deus é criador, 
fez a terra e o mar, 
envia o que semeia, 
envia o que cuida e envia 
a chuva de misericórdia 
que rega a semente.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O Verbo de Deus (28.01.15)

Existente desde o princípio, 
tudo por Ele foi feito, 
nada sem Ele existiria. 

É Ele o Rebento encarnado e 
nascido do seio da Virgem
Maria.
 
É Ele a vida, é Ele o caminho, 
sem Ele a vida não existiria. 
É mistério, Espírito que paira. 

O Verbo estava junto a Deus, 
uma só substância, movimento
de amor que resulta na Criação.

É Luz da humanidade, 
as trevas não O 
compreendem e logo 
dissipam-se.  

É Ele o Herdeiro, 
o Cordeiro de Deus, 
Primogênito do Pai.

É Ele o Messias, encarnado
no seio da Virgem Maria. 
É Jesus, nascido antes de 
todos os séculos, 
o Verbo de Deus. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Primavera (26.01.15)

Nasce então o desejo,
começa a florir na terra
que Deus desde cedo
plantou a semente.

Agora que o inverno
se foi e a forte ventania
dispersou, pode-se
mensurar os frutos.

Se eleva então a prece,
para que o chamado
não disperse e a vontade
de cada dia mais se doar
possa florescer.

Ao longe vem a primavera
e enquanto não chega,
o convite que se faz é de
espera.

Espera, paciência, mansidão,
fidelidade, perseverança,
é tempo de viver a aliança
e corresponder com afinco
ao apelo de Deus.

É o tempo da permanência,
de fazer de Deus a minha
força, renovar a certeza, a
esperança.

Eis o que Deus diz para
este tempo: Lute e tendo
por tuas as minhas forças,
não se canse, espera,
pois ao longe vem a
primavera.

domingo, 25 de janeiro de 2015

A segunda dor de Maria (25.01.15)

Levante-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito (Mt 2,13).

Ao ver Jesus ameaçado de morte,
sofre Maria, protegida por José,
partem para o Egito.

Glorioso São José, que por sua
fé conduziu e resguardou o
Salvador da humanidade.

Imagino que não tenho sido
fácil abandonar sua terra,
seu povo, fugir como bandidos.

Todos os pequenos hão de
conhecer a morte,
pelo corte da espada,
pela fúria acumulada do Rei.

Fogem então para o Egito.
Perseguidos, esperam a morte
de Herodes, o menino está à salvo,
todos os outros estão mortos.

Se cumpre a profecia
de Jeremias: há choro e
grandes lamentos.
As mães choram as mortes
de seus filhos, eis que no Egito
o Anjo a José aparece e os
conduz à terra prometida.

É para  Israel sua partida,
será a Galiléia seu destino,
mais uma profecia está
cumprida...

Está chegando de Belém
nativo, no Egito migrante,
da Galiléia torna-se-á habitante.

Nazareno será chamado,
chega o Messias, a fuga,
a dor da partida, é a segunda
dor de Maria.

Tua Vontade (25.01.15)

Chamastes-me como fizera 
aos doze, tal como eles não 
resisti ao teu convite,  mesmo 
sem saber onde moras, 
fui aonde ias.

Tarda minha conversão, 
tarda que todo teu seja 
meu coração, é grande 
a tua paciência, persistes
e não permites que eu de 
ti me aparte.

Toda vez que olho 
em teus olhos,  lembro-me 
do primeiro convite, da renúncia 
de mim  mesmo e adesão à Cruz 
que o acompanham.

Descobri onde moras 
e lá também quero morar, 
minha vida tomou novo rumo,  
ganhou significância e minha luta 
é alçar a maturidade e ter retidão.

Tarda que eu renove 
meu sim, me levante 
e continue a imitar 
teus passos.

Tarda que eu te ame 
como Maria aos pés 
da Cruz e não com 
o falso amor dos chicotes 
que te acoitavam.

O tempo é hoje,  
o caminho aquele 
que tu apontaste, 
a morada a eternidade,  
a soberana e única, 
não a minha, mas a 
tua vontade.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A primeira dor de Maria (21.01.15)

"E uma espada traspassará a tua própria alma." (Lc 2, 35).

Eis que uma espada a sua alma
há de transpassar,
será ferida de dor.

O menino há de crescer e ser
causa de contradição e divisão.
Hoje apresenta-se ao templo o
que da Cruz fará leito.

Passava o tempo
e Maria tudo conservava
em seu coração, com certeza
se lembrava das palavras
do velho Simeão.

Contemplava com seus
olhos tudo que havia feito Jesus, 
passava o tempo e se aproximava
a hora.

O velho partiu,  Jesus cresceu, 
aprendeu o ofício de seu pai José.
Trabalhou, estudou, meditou, 
assumiu sua humanidade.

Inquietou a sinceridade
e as palavras do velho,
Maria continuou seu caminho
de espera, há de se cumprir
a profecia, esta é a primeira
das sete dores de Maria. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A Orla do Teu Manto (20.01.15)

Basta a força que sai de Ti
ao tocar a orla do teu manto,
para estancar o sangramento
e devolver a vida e a dignidade.

Aquela mulher deu ao mundo
tudo o que tinha, todos os seus
bens  e não encontrou o que
precisava.

Há doze anos sangrava e era tida
por impura, não era amada, não
era aceita, era tida por perdida a
cura para sua enfermidade.

Foi naquela cidade, em meio
à multidão que uma força saiu
de Ti, a mesma mulher,
não tendo mais bens, deu a Ti
a fé, o coração.

Tocou-Te e imediatamente ficou
curada, se viu livre da angústia,
tocou-Te e foi tocada.

Voltou à liberdade, está livre
aquela que por doze anos sangrou,
foi curada, teve sua vida e dignidade
restaurada, ao tocar a Orla do Teu Manto.

Quando (20.01.15)

Quando velo, me visitas.
Quando me ausento, aproxima-Te.
Quando canso e não mais luto,
me vences e torna-Te absoluto.

Quando me rendo, me amas.
Quando sou pequena chama,
de amor me inflamas.

Quando penso que não posso ir,
Vais por mim!
Quando me dou por vencido,
lutas em meu lugar!

Quando sou na tua terra estrangeiro,
Me acolhes como hóspede,
És no meu coração habitante
Acolho-te como amigo,
Pergunto: por que virias morar comigo?

Não importando a resposta,
moras em mim e me convidas
a morar contigo, meu doce Amigo,
hóspede e Esposo de minha alma.

Teu Amor realmente constrange,
não havendo condições, não há
temor, não há medo, não há tempo
e não importa o quando. 

Combate (20.01.15)

Sei que é o contra o mal 
a minha luta, sei que vem 
de Ti as minhas armas. 

Sei que grandes  
grandes são as ciladas, 
sei que ao longo da estrada 
serei ferido e o remédio 
estará no Teu coração. 

Sei que não tenho 
forças suficiente para 
por mim mesmo sair vencedor,
por isso conta com a Tua força, 
com a Tua mão forte 
e santa a lutar por mim.

Conto com a Tua proteção 
por onde eu ir, conto com 
a certeza de que não é só 
meu o combate, não será só 
minha a vitória.

Logo se cansa o coração 
que contra Ti luta, 
descansa, fica em paz, 
o coração que ao Teu lado 
enfrenta o combate.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O Vento Norte (15.01.15)

Vejo o vento norte,
Ora fraco, ora forte,
constante e que ora
cessa.

Vejo o vento que sem
pressa balança as folhas,
traz frescor e
evidencia os frutos.

Vejo os frutos,  não
por causa do vento,
mas da direção a qual
ele aponta.

Vejo que o norte
é o coração de Deus, 
o vento forte a tempestade
que terei que vencer.

O frescor seria talvez
aquilo que aumenta a
chama do meu coração,
quando o de Deus é a
minha direção.

Vejo o vento que cessa
e espera a minha colheita, 
feliz de quem no tempo 
certo a realiza.

Quem é amigo do vento
se deixa conduzir,
resiste ao que é forte,
reza e colhe quando cessa, 
não se cansa de procurar 
sempre o vento norte.

Encontro das Águas (15.01.15)

Doce encontro,
Mar e rio se saúdam.
A nascente ou a fonte que corre?
Os destinos que se cruzam?
Doce encontro,
Jesus no ventre de Maria,
o Rei e a Rainha.

O destino e o meio,
o céu e a terra.
Doce Mãe, que acolhe
o destino do mundo.

Rio e mar se saúdam,
uma só água, mar e rio,
oceano escuro e profundo,
desconhecido.

Deus, mar ao qual
me submeto e me faço um.
Doce Mãe, que acolhe
em seu ventre a Luz do Mundo.

Jesus de Maria nascido,
mar ao qual sou submetido,
Filho dAquele que desde o princípio
pairava e promove o encontro das águas.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Uma conversa com Maria (08.01.15)

Mãe, nesta noite fui banhado
pela água viva que jorra
do lado aberto do teu Filho.

Tive sede e fui saciado.
Acabei inebriado e tomado
de profundo Amor.

Não sei se saberei descrever-te
em palavras... Fui tomado de paz
e tive renovado o meu ânimo.

Sou chamado a ser fonte
de água viva, canal pelo
qual a sede da humanidade
há de ser saciada.

Em meio à escassez,
me ponho na estrada.
Respondendo à voz
de teu Filho que me chama
a restaurar os corações.

Diante de tal chamado
só posso dizer sim,
como tu disseste, eis-me aqui,
agora enviado por Ele para fazer
discípulos entre todas as nações.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O Amor não é amado (07.01.15)

Ninguém nunca O viu,
mas todos se dirigem a Ele
em sua só prece.

Partem em busca e se perguntam:
Aonde mora o Amor? Aonde Deus
habita?

Deus habita onde mora o amor,
Onde há o amor mútuo, Deus ali
está e permanece.

Ninguém nunca O viu,
mas todos se dirigem a Ele
em sua só prece.

Dizem não O ver,
dizem não saber
onde mora o Amor...
Dizem ainda que não se deixa
enxergar, porém sempre esteve
visível a todos os que O quiseram
contemplar.

Deus é Amor que quis esconder,
só quem ama O pode ver,
está em todos os lugares,
nos altares, nos corações.

Nas florestas, nos porões
e esconderijos da alma,
no desconhecido, na inquietude,
no início e no fim.

Nas canções, nos poemas,
nas conversas e brincadeiras.
Deus é Amor escondido, ânimo
e consolo do oprimido.

Deus é a fonte da fraternidade,
Deus é o motivo da comunhão,
Deus é o ponto de encontro das
almas que se amam.

Deus está no que vejo
e também em mim,
o outro é meu espelho
onde Ele se faz enxergar,
sou reflexo, sua imagem
e semelhança.

Deus não é mera lembrança
de um povo esquecido.
Deus é Amor, só quem ama
O pode enxergar.

Deus é Amor que sempre existiu,
escondido ao lado, ninguém nunca
O viu, nem sempre foi procurado,
na face do outro está revelado,
o Amor não é amado.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Eternidade (02.01.15)

Não busco dos homens
compreensão, muito menos
reconhecimento, prefiro
ater-me ao sofrimento.

Sofrer e assemelhar-me a
Cristo, não na divindade mas
no humano que me é possível
alcançar.

Olho-o e vejo-o calado
e humilde, sem reter para si a
glória, sinto-o e a experiência
transcende os escritos, a memória.

É real, é a história que vai sendo
construída, vejo muitos de partida,
sem destino certo, em meio às
sepulturas e desertos.

Pensam ao longe ir,
mas ao chegarem ao fim verão que
longe foram, a lugar algum chegaram,
longe do destino e não há mais partida.

Olharam para si e tiraram os olhos
de Deus, perderam-se e nem sequer
perceberam que quem busca a glória
se enche e não pode ser preenchido.

Prefiro não ser um destes e ater-me
ao sofrimento, suportar os açoites e
flagelos, mas ausentar-me dos infernos,
não busco dos homens a compreensão.

Não busco a glória, não quero ser mais
do que mereço, mas quero estar na presença
e gozar dos prêmios da fidelidade, prefiro
ater-me ao sofrimento e ganhar a eternidade.

Busca (02.01.15)

Na busca pelo eterno
me perdi, não de seus
caminhos mas de mim
mesmo.

Me perdi de meus prazeres,
de minha vontade,
não restou-me muito do que
eu almejava, não restou-me
muito dos planos que traçava.

Na busca tudo parece por hora
perda, de fato o é, mas sei que
vale muito mais o que há de ser
encontrado.

É por isso que não desisto,
na busca, fui encontrado.
No anseio, encontrei um
único caminho, um único
Deus, ao qual sou consagrado.

Me perdi, hoje encontro
parte de mim, já não em
mim imerso mas o pouco
que conheço está a Deus
submetido.

O que desconheço continuo
em busca, não de mim mas
de Deus, para que me revele
o que me é oculto, mas
desde sempre a Ele conhecido.

Percebi que sou um
desconhecido de mim
mesmo, fiz Deus por
conhecido e acabei
por me tornar Seu amigo.

Me perdi na imensidão
do Amor de Deus e  não vi
outra alternativa, senão
submerger-me em suas
águas e ser mar com ele,
fazer dEle o meu caminho,
a minha busca.