sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Relógio (27.02.15)

Deus tem o tempo certo,
É o Senhor do tempo,
da vida e da morte.
É eterno, é forte!

Espera que o nosso agir
encontre o norte,
que o nosso tardo se
ajuste ao tempo certo.

Deus é certo,
nunca se desdiz.
Deus é Mestre, Rei,
Autor e Justo Juiz.

Deus é o tempo certo
daqueles que nEle esperam.
Deus é o Amor que faz
florir a primavera.

Deus é alimento que sacia
nos invernos, é vento que
faz cair as folhas secas do
outono.

Deus é primazia dos que
renunciam a si mesmo.
Deus é o tempo certo,
o dono do relógio.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Setenta vezes sete (24.02.15)

Hoje não consigo,
a Ti venho pedir ajuda.
Me é pesado e sei
que sozinho não suportarei,
peço que alargues meu
coração.

Difícil decisão é acolher
e distribuir o perdão.
Egoísta coração que não
sabe perdoar.

Preciso manter em Ti o
meu olhar, imitar Teu
exemplo, perdoar por
amor.

Permita-me que te perguntes:
Quantas vezes devo
perdoar ao que me feriu,
Ao que não consigo amar,
Ao que me é sacrifício?

Permita-me que te
respondas:
sacrifício é não Me ter
por perto, é viver preso
nas mágoas e nelas
perder-se.
Deves perdoar
não só uma, mas
setenta vezes sete.

Comigo Estás (24.02.15)

Olho-Te e mesmo que não O veja,
sei que comigo estás.
Busco-Te e mesmo que não O alcance,
sei que a mim encontrarás.

Persisto e mesmo que hoje não chegue,
sei que um dia te encontrarei.
Anseio por estar Contigo,
mas Tu comigo já estás.

Se ponho-me em perigo
e alcanço limites extremos,
sou salvo, pois comigo estás,
mesmo quando Contigo não estou.

Me ofertas um recomeço,
custou um alto preço,
parecia o fim e que estavas de partida.
Minha alma foi iludida;
Pensou que só restara a solidão.

Pobre alma, não foi capaz de ver
além da dor, que a morte somente
nos aproximou.
Te agradeço por tamanho Amor e
por eu ter entendido que mesmo
quando Contigo não estou,
comigo estás.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Bandeira (19.02.15)

Unge meus pés para que
toquem  a tua terra santa.
Por quantas estradas passei?
Foram tantas, nem sequer sei
por onde andei.
Recebi uma bandeira
e devia escalar a alta montanha,
para cravá-la em Teu coração.
Não foi fácil,
mas no caminho obtive ajuda.
Combati o bom combate,
fui à luta.
Passei fome, sede e frio.
Atravessei dias gélidos
e sombrios.
Andei pelo vale da morte,
mas o Senhor não desistiu
de mim.
Chamou-me de novo à vida,
trouxe-me esperança,
nunca me deixou!
Meu coração sangrou,
meus olhos choravam
em meio à dor.
Continuei a caminhar,
mesmo em meio às lágrimas.
Uni-as ao mar de Deus,
fui ser mar com Ele.
Cheguei no alto da montanha
e lá encontrei-Te.
Unge meus pés que
tocaram  a Tua terra santa.
Que no Teu coração esteja
minha vida inteira e com ela
o mastro que ostenta a bandeira. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Marta e Maria (06.02.15)

Tal como Marta,
inquieto-me com o peso
das responsabilidades do
serviço a ser feito.

Sei que sou eleito e canal
pelo qual o Senhor irá
restaurar.
Serei cano entupido, beco
sem saída, inferno e profundo
abismo se o meu serviço não
for oração.

Serei lacuna que nada preenche,
tijolo que nada edifica, fogo que
não abrasa.
Terá uma bela vista,
mas estará suja por dentro a casa.

Estarei preocupado em limpá-la,
em organizar a desordem e não
terei tempo para estar Contigo.

Aqui está o perigo: se não é por
Ti, por quem faço?
Me pegará o laço, logo virá o
cansaço. Me ferirá a lança e
do propósito de serviço só terei
a lembrança.

Está errada Marta, está correta
Maria?
Foi acolhedora Marta,
foi acolhida Maria.
Está correta Marta,
está errada Maria?

Importa ante Jesus
a casa limpa, importa
também uma oferta
de vida.

Inquietam-me muitas coisas,
mas uma só é necessária:
escolher a melhor parte.
Está errada Marta,
está correta Maria?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A sétima dor de Maria (09.02.15)

"Envolveu-o no pano e o depositou num sepulcro aberto em rocha." (Mc. 15,46)

Envolta de dor,
Maria cobre o corpo
e vela Jesus, conserva
sua esperança.

Como sofria a mãe
da humanidade,
sofria com amor e
humildade.

Continuava a rezar,
em silêncio e contrição,
acolhe seu Filho e a
nova gestação.

Nasce uma nova nação,
é retomada a filiação,
pela obediência de Jesus,
sustentada e vivida por
Maria.

Jesus foi morto, agora é
sepultado, retorna aos
braços de Maria.
Não recém-nascido,
mas desfigurado.

Começa por Maria
a vida terrena de Jesus,
por ela fez-se homem.

Termina em seus braços
a vida terrena de Jesus,
tal como os homens,
Jesus morreu, sem
pecados, fez-se cordeiro.

Morto, é sepultado,
antes coroado de espinhos,
é coroado de flores;
Acolher em seus braços
seu Filho morto, é a última
das sete dores,

A sexta dor de Maria (09.02.15)

"Tirou da cruz o corpo." (Mc. 15,46)

Jesus está morto
e foi aberto o Seu lado,
o corpo ferido é descido
da Cruz.

Suas feridas são banhadas
pelas lágrimas, seus cabelos
estão envoltos pelo sangue.

As memórias de Maria se
alternam entre a dor da perca
e a lembrança do nascimento.

O menino antes pequenino,
cresceu, sofreu e morreu.
O sangue de Jesus de novo
envolve o corpo de Maria.

Foi ferido, transpassado,
como o velho Simeão dizia,
também o foi a alma de Maria.

Acolher o corpo de Jesus,
é sofrer com Ele o fim do
martírio, tudo que sofreu
no corpo Jesus, na alma
Maria sofreu.
É o fim da agonia, é a
penúltima das sete dores
de Maria. 

Olhos de Maria (09.02.15)

Quando no ventre, vias
com os olhos de Tua mãe,
não os vejo diferente dos
Teus olhos a me olhar do
alto da Cruz.

Vejo-os a amar-Te por toda
a vida, a chorar de alegria
ao ver-Te nascido.

Vejo-os a repreender-Te
quando crescido,
a educar-Te e formar-Te.

Vejo-os olhando  nos Teus
olhos e acariciando Teu
coração, paro diante da cena;
Contemplo o amor que almejo ter.

Agora que partes para a morte,
continuas a ver com os olhos de
Tua mãe;
Com ternura e docilidade corriges
os Teus, converte-os com a pureza
do olhar.

Agora estou eu preso no Teu olhar,
já não consigo distinguir se
os olhos que vejo são os Teus
ou os olhos de Maria.

O Manto da Castidade (09.02.15)

O mar a envolve a terra,
com a Tua misericórdia
envolvas minha vida,
como um manto.

Uma manto de santidade,
de profundo desejo e
caridade, apartai-me de
mim, chamai-me a Ti.

Perdoai as minhas culpas,
purificai meus olhos,
minha alma e dai-me um
novo coração.

Estendas sobre mim as
Tuas vestes, recebei as
minhas pelo pecado
manchadas.

Dai-me vestes novas,
envolva-me como um
manto, que se estende
sobre os eleitos.

Faz do Teu coração o
meu leito, o santo lugar
onde são curadas minhas
lepras.

Envolva-me, ó Deus,
de pureza e temor,
de profundo amor por
Ti, envolva-me com o
manto da castidade.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A quinta dor de Maria (06.02.15)

"Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?" (Sl 21)

Grita Jesus do alto madeiro.
é o ápice do sofrimento,
é o fim do Calvário.
Lá está Maria, com Jesus
a sofrer...
Vai morrer, os pregos
O prendem, os flagelos
continuam, vai morrer
Jesus!

Sombrio fica o Céu,
as dores de Jesus se
fazem presentes no
coração de Maria.
Sofre na alma,
o que Jesus sofria
pelas mãos dos algozes.

Vai morrer o Filho
de Deus, vai morrer
o Filho de Maria,
quem senão o próprio
Deus para ampará-la e
dá forças?

Incruento martírio,
que tirou o Filho de
sua mãe, que trouxe
vida dando a vida.
Morreu Jesus, a alma
de Maria  há de ser
transpassada, o sangue
de Jesus se derrama pelo
madeiro.

Morreu o Cordeiro,
Imolado, redentor
sacrifício, eternizado,
é o fim da agonia do
Horto.

Ver Jesus ser morto e
permanecer aos pés da
Cruz, é a quinta das sete
dores de Maria.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A quarta dor de Maria (03.02.15)

"Quando olhávamos para ele, nenhuma beleza víamos "(Is. 53,2)

Despido de toda a beleza,
vai morrer o Rei no Madeiro.
Se põe à caminho do Calvário,
tu, ó Mãe, vais ao encontro d'Ele.

A agonia e sofrimento de Jesus, 
é o Calvário de Maria, nada pode 
fazer senão sofrer com seu Filho 
as dores da humanidade.

Vai em dores Maria,
com coração contrito,
vai encontrar com seu Filho.
No peso da Cruz, 
vai também o consolo de Maria,
no suor e no sangue que se derrama 
pelos pecados da humanidade.

Despido de toda a realeza,
tido por malfeitor, injustiçado, 
vai pagar o salário do pecado. 
Certamente Maria via a 
beleza de Jesus, não na 
feição humana que já não
existia, mas no coração 
santo e obediente.

É grande a dor, 
de longe é sentida, 
ouve-se os gritos 
de desespero, alguns
choram, outros zombam. 
É grande o Calvário, 
é grande o martírio 
e a dor de Jesus. 

Despido de toda a beleza,
vai morrer o Rei no Madeiro.
Ver Jesus sofrer, contemplar 
Sua agonia, é a quarta das 
sete dores de Maria.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Teus olhos (02.02.15)

Teus olhos são os primeiros
que procuro, quando desvio
o meu olhar e me envolve
o escuro.

Olho e já não te vejo,
mas sei que comigo estás.
Te sinto e posso sempre
que erro, recomeçar.

Teus olhos são os últimos
que quero contemplar,
quando apagar meu olhar
e chegar a hora de partir.

Teus olhos são o consolo
que devo buscar, sempre
que vier a vontade de desistir.

Teus olhos sãos os primeiros
que procuro, são os últimos
que quero contemplar, pois
quando me chamastes eu já
olhava em teus olhos.