segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Deus ama o sertão (06.09.16)

Nas terras secas, no chão rachado,
nas vastas pastagens, onde os animais
se esforçam para encontrar abrigo.

Nas mãos que possuem profundo tato
e estão sempre à manusear as palhas,
a dar forma e criar belíssimos objetos.

No suor que se derrama sobre esta terra
que por vezes me lembra o meu cerrado,
no chão rachado, no coração cheio de dores.

Nas dores cheias de amores que já se foram,
de uma história construída na lida diária, na
renúncia dos queridos que hoje já não estão
por perto.

No deserto que é estar privado do amor
divino, no calor que sucumbe o grito da
esperança, no horizonte, na lembrança.
no sertão que já foi mar e agora é paisagem
que traduzo em versos.

Em tudo talvez não O enxerguem, mas estou
aqui a pensar e escrever...
Em tudo isso está Tua presença e sei que é
viva não só em meu coração, a certeza que
Deus ama o sertão!

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Sangue e água (25.08.16)

Do lado aberto,
do teu interior,
saia misericórdia
e amor.

Em tudo obediente,
na cruz entrega ao
Pai o espírito, o
servo sofredor.

Com sede de vidas,
de almas que amam
o Pai, instaura
silêncio na tarde
sombria na qual
morreu o Filho de
Deus.

Eis que está por vir
a noite solene, que o
coração vela em espera
por Tua vitória.

Quem poderá impedir-Te?
A morte? Quem remendará
o véu rasgado no templo?
Quem mais seria cordeiro
em Teu lugar?

Grande mistério de amor,
dar a vida e estender
perdão e misericórdia à
toda humanidade.
Silencioso mistério que
emerge quando tudo está
consumado.

Não tiveste nenhum de Teus
ossos quebrados e do lado
aberto pelo soldado, jorrou
sangue e água.

Sangue que lava minha
história e traz restauração,
água que lava e sacia a sede
da minha alma.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Leito da Cruz (17.08.16)

O madeiro tornou-se leito, 
onde Tu fizeste enferma a 
Tua humanidade. 

Livre de toda culpa e sendo
Tu inocente, assumiste-a toda
para Ti. 

Deixaste ser ferido o Teu corpo
e transpassada de dor a Tua alma.
Assim, fizeste da Cruz o Teu leito. 
Tomaste para Ti as doenças que 
o pecado causou em nós. 

Voltou o vigor e a vida, foi refeita
e banhado no Teu sangue a Aliança.
Ao entregar ao Pai o Espírito não
havia mais dor, pois no leito da Cruz
Tua alma repousou. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Poço (11.08.16)

Um santuário que jorra
água viva, um poço no
deserto que tem por
nascente o Cristo vivo
e ressuscitado.

Eis que o Senhor me chama
a jorrar em meio à terrra
árida, a levar esperança
e alegria aos corações
descrentes.

Quer fazer de mim um rio
que corre em meio ao deserto,
um lugar de acolhida e comunhão,
aonde o povo sacia sua sede.

Seja então, Senhor, a fonte
que jorra sem cessar, a minha
nascente, para que eu seja
água viva, na vida de quem
tem sede, um poço que sacia.